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codigoContos[0] = "000"
paginasContos[0] = "224 páginas"
livroContos[0] = "O Quarto Fechado"
autorContos[0] = "Jane Soares de Almeida"
deContos[0] = "De"
preco1Contos[0] = " R$ 20,00<br>"
porContos[0] = "por "
preco2Contos[0] = "R$ 16,00"
destaqueContos[0] = "em breve"
olhoContos[0] = "Os contos deste livro transitam pelas diversas situações que tecem a vida cotidiana, descobrindo, ocultas, ora a presença do insólito, ora a irrupção do absurdo, ora a imponderável ação do fantástico, ora a força incontida de sentimentos vivos. E isso tudo com estilo próprio, liberto de modismos, em linguagem fluente, literariamente densa e, ao mesmo tempo, inteligível."
sinopseContos[0] = "A sensibilidade feminina dificilmente aparece tão bem quanto na literatura; e transparece ainda mais e melhor quando é escrita por uma mulher. É essa sensibilidade que o leitor, qualquer que seja seu sexo, encontra nesta obra de Jane Soares de Almeida. O Quarto Fechado é um livro de contos por onde transitam situações do cotidiano, do mais corriqueiro ao mais surpreendente, em que o maravilhoso, a descoberta, a decepção, a dor e o amor penetram pela fresta do comum. O homem que se aposenta, a mulher que não se casa, a boneca esquecida na longínqua infância, a vida é a matéria-prima destes contos que surpreendem os leitores e estimulam sua sensibilidade.<p>A autora domina, com indiscutível talento, as técnicas de contar, movendo-se com desenvoltura pelas diversas situações que tecem a vida, na qual ela descobre, ocultas, ora a presença do insólito, ora a irrupção do absurdo, ora a imponderável ação do fantástico, ora a força incontida de sentimentos vivos, com freqüência tornados carne e sensualidade, diante do Amor e da Morte. E isso tudo com estilo próprio, liberto de modismos, em linguagem fluente, literariamente densa e, ao mesmo tempo, inteligível."
trechoContos[0] = "Todas as manhãs o menino despertava e dizia à mãe, minha cama se moveu de novo esta noite. A mãe estava sempre ocupada, havia outros quatro filhos para cuidar, alimentar, educar, ensinar boas maneiras de enfrentar a vida, para isso são feitas as mães, num sistema atávico de doar-se que nunca termina. Homens, maridos pais, nunca ficam muito tempo, fazem um filho, menino ou menina e se vão, nem sempre esperam para conhecer o fruto de seu prazer, pois é isso, apenas um momento de prazer. Raros são os pais que ficam para cuidar, alimentar, educar, ensinar os fatos da vida e os fatos da vida nem sempre são coisas que se ensina com prazer, os fatos da vida são duros, como dura e difícil é a vida, a vida dos homens e mulheres que nascem e vivem para morrer, mas isso é fato banal, pensa a mãe, que não se preocupa com a metafísica nem com a filosofia, pois gestar, parir, amamentar, cuidar, alimentar, educar, ensinar são coisas que fazem mulheres e mulheres fazem coisas demais, coisas difíceis de fazer e não há tempo, nunca, nunca há tempo para pensar nas razões que as levam a isso. Se a cama do menino se move durante a noite deve haver razões para isso, sono profundo, sonhos demais, meninos sonham demais, se movem demais, pateiam as paredes sem pintura das casas pobres sem papel ou tinta nas paredes, esmurram venezianas quebradas e se retorcem em sonhos nem sempre possíveis. Suas noites são inconsúteis como as mortalhas, seus desejos não existem, afinal quem são meninos sem pais? Pobres e tristes bastardos fugidios, refugos de solitárias camas que não alcançaram a plenitude? Mas, voltando ao menino, ele dizia, minha cama saiu do lugar, foi até a parede e voltou, vá ver, vá... A mãe, com olhar cansado, como são os olhares de todas a mães, abandona os pratos sujos na pia, ou as sujas roupas no tanque, e vai ver o quarto do menino onde a cama se move. Esse menino é o mais velho e tem uma cama só para isso, mal chegou à puberdade e já se diferencia no porte e na beleza, é um lindo menino moreno de olhos escuros como a noite e tem um semblante que a leva a pensar no homem distante de uma só noite que deixou esse precioso legado do momento fugaz do prazer noturno. Nunca mais voltou, nem sabe que deixou um menino, cuja cama se move durante as noites...<p>A cama encostada na parede é simples, guarda a marca de um corpo jovem que se revolve entre os lençóis e geme os gemidos crus da força vital da juventude. Realmente, está alguns centímetros afastada do seu lugar, ela voltou ali sozinha, diz o menino e seu rosto de rara beleza reflete o desapontamento por se saber não crido. <p>E assim se passaram as noites, muitas noites, noites de insônia para o menino, noites de sono pesado para a mãe, para quem muito pesam tantos meninos, frutos de vários pais passageiros que mal tiveram tempo de acalentar alguns de seus raros sonhos. Passaram-se as noites em luar prateado e escuras como a solidão. Foram muitas as noites até que uma manhã o menino não despertou para o costumeiro pão com café, ela, a mãe, o esperou um pouco mais, tinha tanto o que fazer. Entrou no quarto avançada a hora, entre o tanque, o fogão e a pia as horas passaram como passos rápidos em ruas sombrias. Na cama, que se pregava no teto como uma cruz invertida, enrolado nos lençóis dormidos e suados de muitas noites, o menino estava morto. Os braços em cruz, os olhos abertos, o corpo esguio e moreno se mantinha suspenso como um Cristo muito jovem na cruz. A mãe olhou longamente, por muito, muito tempo, e só então chorou."
formatoContos[0] = " - 13x18cm"
isbnContos[0] = " - ISBN 85-88840-18-9"

codigoContos[1] = "001"
paginasContos[1] = "160 páginas"
livroContos[1] = "O Livro dos Labirintos"
autorContos[1] = "Patricio Dugnani"
deContos[1] = "De"
preco1Contos[1] = " R$ 19,80<br>"
porContos[1] = "por "
preco2Contos[1] = "R$ 16,00"
destaqueContos[1] = "em breve"
olhoContos[1] = "Os contos fantásticos deste livro, gênero tão pouco explorado na literatura brasileira, narram segredos que não existem! Aqui se encontram as histórias de um mundo reinventado, histórias de verdades imaginadas, com as quais o autor ilude ora seus leitores, ora sua própria trama, ora a si mesmo, como num jogo de espelhos. Há a história dos sonhos que se repetem, da partícula de deus, dos guerreiros de Xian, das sete maravilhas do mundo, do último mistério de Poe ou da rua que nunca acaba... Enfim, labirintos!"
sinopseContos[1] = "O Livro dos Labirintos, de Patricio Dugnani, é uma obra que vem revigorar o gênero fantástico e consolidar o conto curto na literatura contemporânea.  Os contos deste livro narram segredos que não existem, histórias de um mundo reinventado, histórias de verdades imaginadas, com as quais o autor ilude ora seus leitores, ora sua própria trama, ora a si mesmo, como num jogo de espelhos. Há a história dos sonhos que se repetem, da partícula de deus, dos guerreiros de Xian, das sete maravilhas do mundo, do último mistério de Poe ou da rua que nunca acaba... Enfim, labirintos!<p>Numa edição ousada, a seqüência numérica das páginas introduz o leitor em um labirinto, cuja única alternativa é jogar com o fantástico, com o inusitado, com o imprevisto. Como acontece com o impecável Entropia (na invisível pág. 73), cuja trama nem mesmo Borges, no auge de seu entusiasmo fantástico, ousou sonhar. A originalidade deste conto atinge o maior grau de liberdade possível, desafiando o leitor a uma interpretação imaginária. Ou seja, o conto não está lá, mas escondido na imaginação do próprio leitor, instaurado aqui como protagonista do jogo interpretativo.<p>Patricio Dugnani é escritor, ilustrador e autor de livros infantis, entre eles, O Beleléu, com mais de dez mil exemplares vendidos."
trechoContos[1] = "em breve"
formatoContos[1] = " - 13x18cm"
isbnContos[1] = " - ISBN 85-88840-22-7"

codigoContos[2] = "002"
paginasContos[2] = "128 páginas"
livroContos[2] = "Memórias de uma Vênus Raptada"
autorContos[2] = "Majori Claro"
deContos[2] = "De"
preco1Contos[2] = " R$ 23,00<br>"
porContos[2] = "por "
preco2Contos[2] = "R$ 15,80"
destaqueContos[2] = "em breve"
olhoContos[2] = "A clarividência da autora a leva a quase cometer um sacrilégio: o de revelar os mistérios da feminilidade. Só não o faz porque, ética, opta por pagar tributos às Deusas do feminino. Nos fragmentos de histórias, Majori, que é psicóloga junguiana, apresenta o rapto de inesperados tempos, lugares e amores que perfazem os ambientes desse saboroso livro de contos."
sinopseContos[2] = "em breve"
trechoContos[2] = "<p align='center'><strong><i>Vingan&ccedil;a</i></strong></p><p>O telefone que a amiga descobrira: 5592-4576... Piiiiiiii....... Piiiiiiii...</p><p>&ndash; Al&ocirc;?</p><p>&ndash; (<i>Ttum, tum, tum, tum</i>).</p><p>&ndash; Al&ocirc;?</p><p>&ndash; (<i>Tum, tum, tum, tum</i>).</p><p>&ndash; Al&ocirc;? Al&ocirc;? Al&ocirc;ooo?! Vai falar logo ou vai ficar a&iacute; ouvindo a minha voz? Tenho mais o que fazer, seu desocupado! </p><p>&ndash; (<i>Tum, tum, tum, tum</i>).</p><p><i>Sil&ecirc;ncio.</i> Dois minutos, cento e vinte segundos, colapso do sistema nervoso. Tremor, suor, convuls&atilde;o instant&acirc;nea, mente turva, cabe&ccedil;a em rodopios, boca seca, breve parada respirat&oacute;ria...</p><p>Redial... Pi, pi, pi, pi, pi, pi. Pprrrr... Piiiiiiii... Piiiiiiii...</p><p>&ndash; Al&ocirc;?</p><p><i>&ndash;</i> (<i>Tum, tum, tum, tum</i>).</p><p>&ndash; Al&ocirc;?</p><p>&ndash; Quem est&aacute; falando?</p><p>&ndash; Quem quer saber? Foi voc&ecirc; que ligou agora pouco e n&atilde;o respondeu?</p><p>&ndash; Sim, houve um problema na liga&ccedil;&atilde;o...</p><p>&ndash; T&aacute;, e da&iacute;?</p><p>Um breve momento. Apenas um segundo &ndash; irrevers&iacute;vel &ndash; o segundo que marca todos os nascimentos. O cora&ccedil;&atilde;o acelerado, a mente freando sem saber se o melhor &eacute; correr ou ficar. A d&uacute;vida, o instante crucial da decis&atilde;o... E para que a verdade pudesse revelar-se, o nascimento da mentira santificada.</p><p>&ndash; Bem, minha querida, quem me deu o seu telefone foi o Ant&ocirc;nio. Ant&ocirc;nio Gon&ccedil;alves... <i>Dava tudo para ver a cara dela agora...</i></p><p>&ndash; (<i>Tum, tum, tum, tum</i>)...</p><p>&ndash; Al&ocirc;? Est&aacute; me ouvindo, meu bem?</p><p>&ndash; Si-sim, pois n&atilde;o... Ant&ocirc;nio, Ant&ocirc;nio... Qual mesmo o sobrenome que voc&ecirc; falou?</p><p>&ndash; <i>H&aacute;, h&aacute;, h&aacute;... Dissimulada... Mentirosa!</i> Eu disse G-O-N-&Ccedil;-A-L-V-E-S, Ant&ocirc;nio Gon&ccedil;alves. Voc&ecirc; n&atilde;o o conhece?</p><p>&ndash; Ant&ocirc;nio Gon&ccedil;alves... Ant&ocirc;nio Gon&ccedil;alves... Ah! Claro! Lembrei! &Eacute; um &oacute;timo cliente... Como haveria de esquec&ecirc;-lo? Ele tem conta no banco onde trabalho, &eacute; realmente um homem muito gentil, bem diferente desses brutamontes que chegam e v&atilde;o dando ordens, se achando no direito de mandar na gente. Eu sou banc&aacute;ria, sabe, e...<i> Que merda &eacute; essa de ficar explicando a sua vida, Camila, ta dando bandeira &agrave; toa... Isto s&oacute; pode ser coisa da mulher dele... </i>Bem, acho que falo um pouco demais, &agrave;s vezes. Quem &eacute; voc&ecirc;? O que quer de mim?</p><p>&ndash; Desculpe-me, eu n&atilde;o me apresentei. Meu nome &eacute; Paula e... <i>Maria Dulce... 42 anos... Dona de casa que n&atilde;o bota a m&atilde;o na massa... Dondoca de plant&atilde;o... Acima do peso...Celulite no culote</i>... E o seu, como &eacute; o seu nome, queridinha?</p><p>&ndash; Camila. <i>Ser&aacute; que eu deveria ter inventado outro nome? Bobagem, eu estou &eacute; ficando paran&oacute;ica...</i></p><p>&ndash; Como eu estava dizendo, meu nome &eacute; Paula e estou para inaugurar uma nova loja de roupas na cidade. Eu s&oacute; trabalho com as melhores grifes... <i>Ta louca? Esta hist&oacute;ria n&atilde;o vai colar... O que uma banc&aacute;ria entende de grifes? Talvez ela entenda... Camila, nome de mocinha... N&atilde;o deve passar dos 26... Trabalhadora ativa, almo&ccedil;a fora todos os dias, meia de seda preta, clientes galanteadores... Tem todos os motivos pra gostar de roupa nova e passar batom... Ai que &oacute;dio... Vingan&ccedil;a, eu suplico...</i> Quer dizer... Na verdade n&atilde;o &eacute; bem uma loja, eu estou abrindo um brech&oacute; especializado nas melhores grifes... New York... Mil&atilde;o... Paris... Sabe como &eacute;: s&oacute; coisa fina! Pe&ccedil;as de segunda, coisas que mo&ccedil;as como voc&ecirc; possam comprar. Roupa usada, mas de marca e em bom estado, &eacute; l&oacute;gico. <i>H&aacute;, h&aacute;, h&aacute;... A vingan&ccedil;a da humilha&ccedil;&atilde;o... </i>Pois ent&atilde;o, o Ant&ocirc;nio Gon&ccedil;alves &eacute; um velho amigo meu, e como conhece muita gente por causa do trabalho (ele &eacute; uma figura, n&atilde;o &eacute;?), resolveu me dar uma ajudinha, passando alguns telefones de pessoas que pudessem se tornar futuros clientes. </p><p>&ndash; <i>N&atilde;o estou gostando nada disso, acho que vou desligar...</i> Acho estranho ele ter dado o meu telefone pra voc&ecirc;. N&oacute;s mal nos falamos!</p><p>&ndash; &Eacute; mesmo? Bem, n&atilde;o foi isto o que ele me disse...</p><p>&ndash; E o que foi que ele te disse?</p><p>&ndash; <i>Peguei voc&ecirc;, sua puta... </i>Ele me disse que conversa com voc&ecirc; com freq&uuml;&ecirc;ncia quando vai ao banco, que voc&ecirc; &eacute; uma dessas mo&ccedil;as que quando se bate o olho, logo se v&ecirc; que tem bom gosto. E que &eacute; muito bonita e sensual... Disse que voc&ecirc; seria uma cliente nota 10, na qual valeria a pena investir... <i>Desgra&ccedil;ada, deve estar se rindo toda, enrolando os cachos e piscando as pestanas... Vaca!</i></p><p>Um breve momento. Apenas um segundo &ndash; irrevers&iacute;vel &ndash; o segundo que marca todos os nascimentos. Dedos displicentes enrolando os cabelos, olhos dan&ccedil;antes erguendo-se para o alto, dentes mordiscando em sorriso o l&aacute;bio inferior, pernas que se abrem levemente convocando a mem&oacute;ria e... O nascimento da vaidade denunciadora.</p><p>&ndash; Ele... Ele disse isso, &eacute;? </p><p>&ndash; Disse sim, meu bem... <i>Ele dizia isso de mim tamb&eacute;m, quando eu ainda era prato fresco como voc&ecirc;... Com que freq&uuml;&ecirc;ncia ele te come? Com quanta fome? Ele fala de mim? Ri da minha incompet&ecirc;ncia comparando-me a voc&ecirc;, quando fazem amor? O que voc&ecirc; faz que eu n&atilde;o fa&ccedil;o? D&aacute;-me tua receita, meu bem, que eu te ensino a fazer o bolo de cenoura que ele tanto gosta. Com cobertura de chocolate. Se esbalda feito menino e emporcalha toda a gravata... Voc&ecirc; lambe os restos, eu mando a empregada lavar a camisa com o OMO novo que comprei no mercado. Idiota, &eacute; isto o que sou... Uma completa idiota, digna de pena e riso.</i> Voc&ecirc; gostaria de conhecer a loja, Camila?</p><p>&ndash; Pode ser... Onde fica? </p><p>&ndash; Hummm... Nos Jardins, perto da Oscar Freire... </p><p>&ndash; Uaaauu!!! </p><p>&ndash; <i>Monstro-nojento-papa-anjo! Como p&ocirc;de me trocar por uma idiota dessas?Ela disse uau... Uau?! Aposto que reage assim a cada nova boate ou restaurante chique pago com o dinheiro que te ajudo a poupar... O dinheiro dos... dos nossos filhos, seu miser&aacute;vel! Cala a boca, Dulce, voc&ecirc; ta pouco se lixando pro dinheiro dos seus filhos. Anda, foi pra ficar posando de coitadinha que voc&ecirc; ligou? Anda, hora da esperteza, querida... </i>Bem, Camila... Vamos ao que interessa! Eu preciso dos seus dados pra fazer um cadastro. Daqui a alguns dias, voc&ecirc; vai receber um convite pra nossa inaugura&ccedil;&atilde;o, que vai ser um arraso, por sinal. </p><p>&ndash; O que vai ter? </p><p>&ndash; Um coquetel, um desfile e...<i> Ai, ai, ai, n&atilde;o, n&atilde;o diga o que estou imaginando que voc&ecirc; vai dizer...</i></p><p>&ndash; Uaaauu!!!! </p><p>&ndash; Piranha... </p><p>&ndash; Como? O que foi que voc&ecirc; falou? </p><p>&ndash; Pista de dan&ccedil;a. Eu disse pistadedan&ccedil;a... <i>Piranha, vaca, cadela...</i></p><p>&ndash; Uaaauu!! </p><p><i>&ndash; Rrrrrrgh...</i> Bem, querida, vou te fazer algumas perguntas, est&aacute; bem? Nome completo. </p><p>&ndash; Camila Ferraz. </p><p>&ndash; Idade? </p><p>&ndash; Vinte anos. </p><p>&ndash; <i>O qu&ecirc;? O filho da puta ta comendo uma garotinha de vinte anos? &Eacute; quase a idade da filha dele... Ah, Vit&oacute;ria, que bela mocinha est&aacute; se tornando, a cintura fina, os seios protuberantes... Desgra&ccedil;ado! </i>Endere&ccedil;o completo pra mandar o convite, por favor? </p><p>&ndash; Rua das Flores, 140. Vila da Gl&oacute;ria. O CEP eu n&atilde;o sei de cor. </p><p>&ndash; Tudo bem, eu acho na lista. </p><p>&ndash; &Eacute; s&oacute; isso n&atilde;o &eacute;? </p><p>&ndash; Sim... <i>Sua ninfeta vadia. Vai ver o que fa&ccedil;o com voc&ecirc;s. Ponho um detetive no rastro da sem-vergonhice e pego os dois com a boca na botija. Ou em outra coisa... Jogo a rede e vai ser uma vergonha s&oacute;. Para quem, mesmo? Depois, as provas irrefut&aacute;veis: fotografia de motel e telefonema grampeado, tudo como prova anexada em processo; pedido exorbitante de pens&atilde;o e outros bens. Ainda cago em cima da cabe&ccedil;a dos dois. Adult&eacute;rio... At&eacute; outro dia isso dava cadeia ou valia de desculpa para matar vagabunda e filho da puta. Nada como os tempos antigos... Mas ainda vale para arrancar alguns tost&otilde;es... Quero ver o tarado morrer de vergonha na frente da fam&iacute;lia dele. Ele, Ant&ocirc;nio bom filho, Ant&ocirc;nio bom funcion&aacute;rio, Ant&ocirc;nio exemplar! Qual o qu&ecirc;! Fa&ccedil;o festa pra todo mundo saber, vou me deleitar em ser a v&iacute;tima. Vou?? Os filhos... Ah! Eles h&atilde;o de saber quem &eacute; o pai deles... Se bobear, corto visitas. Provo que n&atilde;o era bom pai; nunca ligou para os coitadinhos, mesmo. Pariu? Amamentou? Sacrificou a vida, como eu sacrifiquei? N&atilde;&atilde;&atilde;oo! Largou profiss&atilde;o, sonhos rom&acirc;nticos, tendo que aceitar miseric&oacute;rdia de marido folgado? N&atilde;&atilde;&atilde;oo! Engordou vinte quilos, se encheu de varizes, inchou o nariz? N&atilde;&atilde;&atilde;oo! N&atilde;&atilde;&atilde;oo! Ficou foi com a barriga toda lisinha de tomar cerveja e cantar garotinhas enquanto eu me enchia de neuras para esconder as estrias debaixo do len&ccedil;ol. Desgra&ccedil;ado! Vou fingir que n&atilde;o sei de nada, dar corda pro malandro, deixar a comida esfriar e depois comer como se fosse banquete... </i></p><p>&ndash; Al&ocirc;? Al&ocirc;? Voc&ecirc; est&aacute; a&iacute;? &Eacute; s&oacute; isso o que queria de mim? </p><p>&ndash; Se &eacute; s&oacute; isso? Sim, querida, &eacute; s&oacute; isso o que eu precisava saber... </p><p>&ndash; Est&aacute; bem, espero o convite chegar, ent&atilde;o. Gostei muito de te conhecer... Paula, n&eacute;? <i>Preciso perguntar pro Toni quem &eacute; esta amiga estranha que ele arranjou. Deve estar mesmo desesperada, precisando vender roupas...</i></p><p>&ndash; Sim... Paula. </p><p>&ndash; Engra&ccedil;ado, no come&ccedil;o achei que fosse trote, voc&ecirc; demorou a responder... </p><p>&ndash; Essas companhias telef&ocirc;nicas andam um horror, n&atilde;o &eacute; mesmo? </p><p>&ndash; &Eacute; verdade. Bem... Ent&atilde;o tchau! </p><p>Um breve momento. Apenas um segundo &ndash; irrevers&iacute;vel &ndash; o segundo que marca todos os nascimentos. A arapuca armada, o monstro entrando para apanhar a comida e... Ploft! Caiu como um patinho! O que vai ser do horrendo predador? Um bicho a menos para saquear a floresta... Bem-feito! &Eacute; isso o que quero? Absurdo... E o nascimento da verdade assustadora.</p><p>&ndash; Camila? Espere! N&atilde;o desligue!</p><p>&ndash; Pois n&atilde;o?</p><p>&ndash; Faltou uma pergunta... <i>N&atilde;o, por favor, n&atilde;o desligue... Eu te imploro... O que vai ser de mim, quando a liga&ccedil;&atilde;o acabar? Fica! Fica! Fica! Preciso de voc&ecirc; para saber quem sou, o que fui, o que me falta. Fica, por favor!</i></p><p>&ndash; O qu&ecirc;?</p><p>&ndash; Como?</p><p>&ndash; Voc&ecirc; disse que faltava uma pergunta? O que mais voc&ecirc; deseja saber? <i>T&ocirc; achando muito estranha esta perua, parece at&eacute; que n&atilde;o quer desligar... O Toni nunca me disse que andava com l&eacute;sbicas. Sai de mim, mulher! Pensando bem, acho que nem vou a esta inaugura&ccedil;&atilde;o. Toni, Toni, voc&ecirc; me apronta cada uma! Se n&atilde;o estivesse t&atilde;o apaixonada, mandaria todos voc&ecirc;s para aquele lugar! J&aacute; estou cansada das noites intermin&aacute;veis de espera, dos furos nos encontros, do presente no dia dos namorados... para mim e para a esposa! Tamb&eacute;m, Camila, quem manda se meter com homem casado? &Eacute; isso o que d&aacute;... Mas que homem! Bonito, charmoso, bem sucedido, generoso nos presentes... E na cama... Uaaauu! E aquele jeito de quem acha tudo maravilhoso, de ficar hipnotizado por cada gesto meu... Me come com os olhos, o safadinho! E eu provocando o homem at&eacute; n&atilde;o poder mais! Mas n&atilde;o sei... Falta algo... Algo que v&aacute; al&eacute;m do fasc&iacute;nio por mim, al&eacute;m de satisfazer minha pr&oacute;pria vaidade... Algo que me arranque desta brincadeira de seduzir e me seduza tamb&eacute;m... Que me ofere&ccedil;a um futuro! Neste exato momento, ele deve estar l&aacute;, num belo jantar de fam&iacute;lia... Os filhos adorados, a esposa fiel, que sabe tudo a seu respeito: da marca da cueca at&eacute; o nome do tatarav&ocirc;. Maria Dulce... &Eacute; esse o nome dela, que ele deixou escapar outro dia. Nome de rainha! Quem, a n&atilde;o ser uma mulher de classe teria um nome assim? Como eu invejo a mulher dele... </i>Paula, antes de voc&ecirc; fazer a sua pergunta, posso te fazer uma, tamb&eacute;m?</p><p>&ndash; Claro... Fa&ccedil;a! Adoraria conversar mais um pouco... <i>Eu preciso disso... Queria v&ecirc;-la, sentir seu cheiro, observar seus gestos...</i></p><p>&ndash; Quantos anos voc&ecirc; tem?</p><p>&ndash; <i>Vadia... Pega na ferida e enfia a faca at&eacute; o fim... </i>Trinta e dois... <i>Quarenta e dois... E tr&ecirc;s, no m&ecirc;s que vem...</i></p><p>&ndash; Voc&ecirc; &eacute; casada? Tem filhos?</p><p>&ndash; <i>Isso n&atilde;o est&aacute; acontecendo comigo, n&atilde;o est&aacute;! &Eacute; pat&eacute;tico demais para ser real. S&oacute; falta ela me perguntar se sou feliz...</i></p><p>&ndash; Voc&ecirc; &eacute; feliz?</p><p>&ndash; <i>Vai pra... </i>Olha aqui, meu bem: Eu sou casada, sim, tenho tr&ecirc;s filhos e, se voc&ecirc; quer saber mesmo a verdade, acho que casamento &eacute; uma merda, os homens s&atilde;o todos uns filhos da puta e ter filhos s&oacute; faz os peitos ca&iacute;rem... Se voc&ecirc; gosta mesmo de si, pule esta parte &ndash; a vida n&atilde;o &eacute; um conto de fadas e o &ldquo;felizes para sempre&rdquo; s&oacute; existe ali porque &eacute; o fim da est&oacute;ria; ningu&eacute;m viveu pra ver Cinderela voltar aos trapos, nem Branca de Neve espancada pelos sete an&otilde;es.</p><p>&ndash; Nossa! Voc&ecirc; parece mesmo amargurada, o que foi que te aconteceu?</p><p>&ndash; Nada queridinha, &eacute; que os homens n&atilde;o s&atilde;o como n&oacute;s... S&atilde;o todos uns cr&aacute;pulas!<i> N&atilde;o, isso n&atilde;o est&aacute; acontecendo de verdade... Eu aqui, me equiparando a ela, falando de &ldquo;n&oacute;s&rdquo;... </i>Bem, eu preciso desligar. Adeus!</p><p>&ndash; Hei! Espere! O que voc&ecirc; queria me perguntar?</p><p>&ndash; Deixa pra l&aacute;... J&aacute; n&atilde;o importa mais...</p><p>&ndash; Diga! Fa&ccedil;o quest&atilde;o de responder. Voc&ecirc; me ajudou muito, mesmo sem saber.</p><p>&ndash; <i>Que ironia... </i>N&atilde;o &eacute; nada de mais, Camila... &Eacute; s&oacute; que...H&atilde;, hum, h&atilde;...</p><p>&ndash; Pode perguntar!</p><p>&ndash; Qual &eacute; o n&uacute;mero que voc&ecirc; usa? Voc&ecirc; sabe, para colocar no seu cadastro...</p><p>&ndash; 36. </p><p>&ndash; 36? <i>N&atilde;o posso suportar... Corpinho de miss, sorriso de menina, pela tenra como bot&atilde;o de rosa que ainda n&atilde;o desabrochou. Odeio-a. Morro de &oacute;dio, de inveja... Desejo? Por que sinto esse esbo&ccedil;o de espasmo a esquentar meu ventre? Abrem-se orif&iacute;cios, clamam os nervos, irrigam-se pequenas veias. Ele. Na cama. Com ela. Comigo. Dois. Tr&ecirc;s. Sim, sim, sim. O que &eacute; isso? Tum, tum. Tum, tum....</i> Camila meu bem, desculpe-me, mas preciso desligar<i>.</i></p><p>&ndash; Al&ocirc;? Paula? Voc&ecirc; vende roupas masculinas? Paula? Paula? <i>Piiiii... </i>Desligou... </p><p>Um breve momento. Apenas um segundo &ndash; irrevers&iacute;vel &ndash; o segundo que marca todos os nascimentos. Excita&ccedil;&atilde;o, desejo, clamor. E ent&atilde;o, um gosto novo na boca, como parede velha que ganha pintura nova, a superf&iacute;cie porosa sugando toda a tinta. Parte do corpo numa contra&ccedil;&atilde;o raivosa, contra&iacute;da, contra&iacute;da, at&eacute; n&atilde;o caber mais ar; outra parte em dilata&ccedil;&atilde;o mendicante, suplicando, suplicando que algo a venha preencher. Ant&ocirc;nio... E a descoberta da perversidade...</p><p>Encarou-se no espelho corajosamente, sem a tend&ecirc;ncia costumeira de desviar o olhar. Para cada ruga, para cada drapejo de pele, ela olhou com a frieza dos campos de concentra&ccedil;&atilde;o. Aos peda&ccedil;os sobreviventes da antiga beleza Dulce deu aten&ccedil;&atilde;o ainda mais especial. E aproveitou a demora do marido para reeditar o dia da noiva: pele cuidada, unhas bem feitas, massagem de &oacute;leo no final do banho. No quarto, as velas acesas, as ta&ccedil;as de vinho na bandeja de prata, um bom disco de Frank Sinatra para relembrar os velhos tempos. Como arremate, a camisola negra, o batom dourado e as tr&ecirc;s gotinhas de perfume atr&aacute;s da orelha: nenhum detalhe lhe escapou. </p><p>E ent&atilde;o eles se amaram... Ele n&atilde;o era ele, era um amante gentil como nunca fora. Ela n&atilde;o era ela, era uma amante fogosa como jamais se revelara. Ele era ainda mais ele, embasbacado diante daquela mulher que lhe sangrava os l&aacute;bios, proferindo palavras indecentes, como se tivesse o dem&ocirc;nio a lhe queimar as entranhas. Ela era ainda mais ela, porque o amor n&atilde;o era mais uma obriga&ccedil;&atilde;o &ndash; obriga&ccedil;&atilde;o era o &oacute;dio, o &oacute;dio por aquele homem que lhe roubara a juventude e lhe fizera escrava do medo de perd&ecirc;-lo. &Oacute;bvia seria a separa&ccedil;&atilde;o, o massacre e o fim, n&atilde;o o amor. Am&aacute;-lo no &oacute;dio era descompensar o tri&acirc;ngulo, era colocar-se no v&eacute;rtice mais alto e comandar a bacanal: maestrina s&aacute;dica de um espet&aacute;culo pra l&aacute; de cruel. O amor era a sua doce vingan&ccedil;a, o gozo supremo por transformar trai&ccedil;&atilde;o em poder.</p><p>Na manh&atilde; seguinte, Dulce foi despertada com caf&eacute; e flores. Colocou-as num vaso, mas deixou o cart&atilde;o para ler depois. Naquele dia, havia muito que fazer. Do caf&eacute; tomou um gole, do p&atilde;o n&atilde;o triscou uma migalha sequer. Antes de dormir, havia jurado a si mesma que em pouco tempo entraria em seu antigo manequim 36.</p>"
formatoContos[2] = " - 14x21cm"
isbnContos[2] = " - ISBN 85-88840-35-9"