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codigoNaoFiccaoOutras[0] = "000"
paginasNaoFiccaoOutras[0] = "290 páginas"
livroNaoFiccaoOutras[0] = "Sombra e Luz: o tempo habitado"
autorNaoFiccaoOutras[0] = "Beatriz Fétizon"
deNaoFiccaoOutras[0] = "De"
preco1NaoFiccaoOutras[0] = " R$ 29,50<br>"
porNaoFiccaoOutras[0] = "por"
preco2NaoFiccaoOutras[0] = " R$ 26,50"
destaqueNaoFiccaoOutras[0] = "em breve"
olhoNaoFiccaoOutras[0] = "Doutora em Filosofia e Professora aposentada da Faculdade de Educação da USP, este livro reúne artigos, conferências, memórias e poesias escritos nos últimos 30 anos, os quais mantém uma extraordinária regularidade e coerência de estilo, de convicções e crenças, que explicitam o pensamento de uma das mais importantes educadoras brasileiras."
sinopseNaoFiccaoOutras[0] = "em breve"
trechoNaoFiccaoOutras[0] = "'E NÓIS AQUI...'<br>(Ou, Somos Todos Filósofos...)<p><i>O homem é um animal que pergunta por si mesmo.<br>O perguntar por si mesmo é, contudo, enquanto<br>atitude mental, o mais próprio do filosofar -<br>nessa medida, somos todos filósofos.</i><p>Criei-me em São Paulo. Aí cresci, estudei, trabalhei. Depois de quase quarenta anos de cidade grande, voltei a viver no interior. Uma cidadezinha pequena, despretensiosa e agradável, singela, debruçada e aconchegada sobre o rio que lhe dá o nome. Terra de muita gente ilustre e de muita gente simples; onde o Tar...de (com um erre molhado e muito espichado) não é negado a ninguém quando se passa pelo outro na rua ou na estrada - seja ilustre ou simples, conhecido ou desconhecido aquele que se cumprimenta; é assim uma assunção tácita de que porque existe e está conosco, o passante merece uma boa tarde, abreviada à moda local. Gosto de rodar pelas estradas de terra do município e apear-me aqui e ali para ver o campo cultivado, o mato ralo, o rio preguiçoso ou a tarde que cai. Noutro dia encontrei um filósofo.<p>Seria talvez - como quer Antenor Gonçalves - como quase todos nós, um filósofo de botequim; mas era um - e estava, aliás, acocorado à porta do próprio. Um botequim pacato, perdido no meio do campo, na curva da estrada, bem à frente da igrejinha quase sempre fechada. Reunindo em torno de si o botequim, um barracão de bocha e não mais do que quatro ou cinco casas, a igrejinha forma o bairro de São João. Plantado bem na curva da estrada de terra quase sem árvores, batida do sol ardente da região e varrida pela poeira fina da areia que se acumula em suas margens, o bairro pitoresco e sombreado é um verdadeiro convite a uma parada sob as mangueiras frondosas do pátio da igrejinha. Foi o que fiz nesse dia. Acomodei o carro à sombra da mangueira e apeei para uma garapa gelada no boteco da estrada.<p>Na porta do boteco, voltando-lhe as costas e olhando diretamente para um ponto indefinido no horizonte à sua frente, chapéu de palha empurrado para trás deixando a descoberto a testa suada, pito de palha na boca seguro pelo polegar e o indicador encostados no queixo e nos lábios, estava um filósofo. Só que, ao entrar, eu ainda não sabia disso. Tudo o que vi foi o caboclo pachorrento e mal vestido descansando imóvel - como que desde sempre - sobre os calcanhares e as pernas flexionadas.<p>Havia outras pessoas na venda: o vendeiro, atrás do balcão manchado; dois adolescentes vindos, em férias, da cidade grande, e que riam muito da própria inabilidade na sinuca que tentavam jogar no canto mais escuro do salão; e dois sitiantes de fala acaboclada e conteúdo citadino que repetiam entusiasmados os comentários do jornal de domingo. Já não sei bem do que falavam - e falavam muito arto - mas tratava-se do progresso da indústria e da aquisição de complicados equipamentos da era tecnológica que davam um ar assim muito sofisticado ao país (computadores, reatores, que sei eu); o caso é que as ditas compras eram louvadas em cifrões altíssimos e num altíssimo tom de voz; era como se víssemos desfilar pela porta do boteco o progresso do século XX vestido de notas de banco. Tudo o que se ouvia eram as exclamações entusiasmadas dos caboclos sitiantes (assim com ar bem remediados) e as risadas dos rapazes a cada tacada furada.<p>De repente, um dos sitiantes resolveu fazer um inventário da situação descrita, somando o valor moeda dos ditos equipamentos. A soma foi tão alta que ele a repetiu escandindo as cifras - e os dois interlocutores fizeram uma pausa de pura admiração e respeito. Então, no meio da pausa, o filósofo acocorado à porta do boteco falou.<p>Disse quatro palavras. E elas continham toda a sua forma de perguntar pelo homem - todo o seu filosofar. Aparentemente só seus lábios falaram. Não vi que ele movesse um músculo a mais do que os necessários para emitir os sons e afastar ligeiramente o pito de palha da boca - sempre apertado bem junto à extremidade queimada, pelo polegar e o indicador. Não se voltou para os que falavam - nem, aliás, falou para eles; não desviou os olhos daquele ponto indefinido do horizonte; não falou para ninguém - que a pergunta pelo homem só se faz para si mesmo. Mas falou pausada e claramente: 'É. E nóis aqui.'<p>Não foi uma exclamação, não foi uma interjeição, não foi um reparo nem uma queixa, não foi um palpite carregado de implicações políticas ou sociais, não foi um aparte à conversa, nem um adendo à monumentalidade da cifra escandida pelos sitiantes ledores de jornais. Foi uma constatação mansa, lúcida, incolor: 'É. E nóis aqui.' Mas teve o impacto da pergunta do homem pelo homem.<p>A conversa morreu por si mesma. Os sitiantes voltaram a seus copos. O dono da venda disse: 'É' - e começou a passar o avental sobre o balcão. Os garotos encostaram os tacos. Só se ouvia a tarde pachorrenta lá fora. Terminei minha garapa, coloquei o trocado no balcão e fui saindo em direção ao carro. Antes que o alcançasse, os garotos já haviam manobrado o fusca em que vieram e arrancado numa nuvem de poeira.<p>Enquanto girava a chave no contacto, olhei para o boteco: o sol da tarde mergulhava a sala num escuro indefinido. Tudo o que se via era o grande retângulo da porta ensolarada e, encostado no batente, o filósofo acocorado aparentemente desde sempre, com o polegar e o indicador encostados ao queixo e aos lábios, segurando muito apertado o pito de palha. O rosto suado e curtido luzia ao sol, sem temê-lo; só não se lhe viam os olhos muito apertados em direção à luz, mas apontados diretamente para um ponto muito além do bairro modorrento. Suponho que cada um de nós foi ruminando sozinho a pergunta acordada pelo filósofo; ela se confundia, para mim, na lenta volta para a cidade, com as curvas, as cercas e as raras árvores da estrada; e com as nuvens de poeira que os raros carros, mais apressados do que eu, levantavam sobre minhas indagações. Já ficara bem para trás a curva do bairro de São João quando me acudiu Euclides da Cunha. Não é só o sertanejo que é, antes de tudo, um forte. É o homem enquanto tal. Há os que desistem, é claro; há os que aceitam o desafio; há os que simplesmente aceitam. Onde está a verdadeira coragem e fortaleza?<p>'É. E nóis aqui.' O caboclo não se voltou para os que falavam a língua dos que detêm o poder de decisão; nem movera os olhos do ponto indefinido no horizonte para a torre da igrejinha do arraial, a cinqüenta passos e quase em frente dele. Não houve o menor indício exterior - nem na entonação da voz - da remissão da responsabilidade ou da culpa (que lhe é correlata) a quem quer que fosse. Era a pura constatação da condição.<p>Platão justificou seu Deus matemático; na primeira escolha, no campo das almas, por um instante Deus é inocente - e a inocência originária pelos destinos particulares o absolveu para sempre de todos os males. Aristóteles absolveu desde sempre e para sempre seu estranho Deus filosófico, pela irreciprocidade do amor. Tomás, Anselmo, Lutero, Descartes, Berkeley, Kant, Jaspers, Heidegger, todos absolveram seu Deus. Ou tentaram fazê-lo. Quem absolve os homens?<p>Onde está a verdadeira coragem e fortaleza? Em assumir a culpa e lutar por ela arrebatando-a às divindades ou aos poderes mais altos? Em aceitá-la e tacitamente assumi-la pela desistência, pela resposta ao desafio ou pela simples e mera aceitação? - aquela que é tranqüila e incolor, indolor e atônica, toda ela resumida numa constatação linear: 'É. E nóis aqui.'<p>Somos todos filósofos - ainda que o sejamos à moda do Antenor. Se não fôssemos, por que teríamos inventado o pecado original ou a marca de nascença? Ou, se não o inventamos, particularmente, por que endossamos seu peso e o disputamos a qualquer realidade ou invenção transcendente, ou a qualquer poder mais alto?<p>Inocentes ou culpados, somos todos filósofos. Pelo simples fato de existirmos depois de sermos dados; mesmo quando para existir engendramos toda uma metafísica de uma mentira vital ou existencial; que todos, sem exceção, engendramos - quer se contenha nos tratados da filosofia ou da ciência, nas criações da matemática ou da arte, ou na simples mas lúcida constatação da condição. 'É. E nóis aqui.' "
formatoNaoFiccaoOutras[0] = " - 14x21cm"
isbnNaoFiccaoOutras[0] = " - ISBN 85-88840-04-9"

codigoNaoFiccaoOutras[1] = "001"
paginasNaoFiccaoOutras[1] = "200 páginas"
livroNaoFiccaoOutras[1] = "O Instante Eterno: o retorno do trágico nas sociedades pós-modernas"
autorNaoFiccaoOutras[1] = "Michel Maffesoli"
deNaoFiccaoOutras[1] = "De"
preco1NaoFiccaoOutras[1] = " R$ 32,00<br>"
porNaoFiccaoOutras[1] = "por"
preco2NaoFiccaoOutras[1] = " R$ 25,00"
destaqueNaoFiccaoOutras[1] = "Uma lúcida e mordaz análise das sociedades contemporâneas, valorizando o retorno do trágico, do destino e do presenteísmo à vida cotidiana."
olhoNaoFiccaoOutras[1] = "O livro apresenta uma lúcida e mordaz análise das sociedades contemporâneas, valorizando o retorno do trágico, do destino e do presenteísmo à vida cotidiana. Ao abordar a alegria do mundo e a potência de seu jogo, o mundo das aparências e o jogo das máscaras, o autor privilegia uma nova sensibilidade e uma outra forma de pensar e viver a socialidade pós-moderna."
sinopseNaoFiccaoOutras[1] = "O Instante Eterno: o retorno do trágico nas sociedades pós-modernas, do sociólogo francês Michel Maffesoli, apresenta uma lúcida e mordaz análise das sociedades contemporâneas, valorizando o retorno do trágico, do destino e do presenteísmo à vida cotidiana. Ao abordar a alegria do mundo e a potência de seu jogo, o mundo das aparências e o jogo das máscaras, o autor privilegia uma nova sensibilidade e uma outra forma de pensar e viver a socialidade pós-moderna. A seguir, uma breve sinopse escrita pelo próprio autor:<p>'Um longo período parece se acabar, esse em que as interrogações do presente deviam encontrar suas respostas no futuro. Esse em que se abordava a questão de preparar o porvir, de programar, em última instância, a economia e a sociedade. Ora, assistimos hoje ao que podemos chamar de retorno do destino, que se expressa sob a forma do imprevisível e do puro presente. Essa nova intensidade do instante explode em todas as direções: dos videoclipes aos jogos de informática, das manifestações esportivas às festas tecno, passando pela ecologia, ou mesmo pela astrologia.<p>A ideologia do progresso centrada no indivíduo atomizado é substituída por um universo de rituais, de prazeres e de imaginários compartilhados: um verdadeiro reencantamento do mundo que passa pela festa e por uma outra relação com o entorno. A ética que nasce dessa sociedade nova não é senão a do trágico. De uma aquiescência à plenitude do instante duplicado pela aceitação lúcida do efêmero.'"
trechoNaoFiccaoOutras[1] = "O trágico é impensável, e devemos no entanto pensá-lo. Saibamos também que, como o vento, o espírito sopra onde quer. Talvez seja assim que podemos compreender o surpreendente retorno dos valores arcaicos ao primeiro plano social. Tribalismo, nomadismo, em particular, debilitam nossas certezas de pensamento e nossas maneiras de ser. Como o vento, chegam turbilhonando, daí o seu aspecto inquietante, assim como os valores que transladam com eles.<p>Mas nos órgãos do pensamento estabelecido não se trata tanto disso. Denegação forçada, não nos atrevemos a falar do que dá medo. O trágico faz parte dessas coisas. É um não dito ensurdecedor, é algo que, no cotidiano, é empiricamente vivido, é o sentimento trágico da vida. Do cotidiano, em que há pouca terra incógnita, temos a tendência a não reter mais que o anedótico ou o superficial. Comentando a fórmula evangélica:O pão nosso de cada dia nos dai hoje, C. G. Jung notou que existiram dificuldades para traduzi-la; a expressão de cada dia não se encontra mais que nesse lugar, e recorda que São Jerônimo havia proposto a expressão gnóstica pão supra-substancial! Essa associação deixa claro e sublinha bem que o cotidiano é o verdadeiro princípio de realidade, melhor ainda, da surrealidade.<p>Sem que isso seja formulado nesses termos, os fatos cotidianos e a experiência estão aqui, irremissíveis. Há algo de fatal neles. É necessário trazer esse fatum para perto. Isso vem integrar, tanto no plano individual como no coletivo, a parte daquilo que é imprevisível ou daquilo que não se deduz como fonte de acontecimentos decisivos. De alguma maneira, o acaso objetivo dos surrealistas. Não limitado a qualquer happy few, mas vivido amplamente pelo conjunto da sociedade.<p>Se soubermos ver todas as características do trágico, certamente seremos capazes de compreender numerosas práticas sociais, em particular juvenis, que sem essa apreciação pareceriam desprovidas de sentido. Digamos categoricamente: com a sensibilidade trágica o tempo se imobiliza ou, ao menos, se lenteia. De fato, a velocidade, sob suas diversas modulações, foi a marca do drama moderno. O desenvolvimento científico, tecnológico ou econômico é sua conseqüência mais visível.<p>De modo contrário, hoje vemos despontar um elogio da lentidão, incluindo a ociosidade. A vida não é mais que uma concatenação de instantes imóveis, de instantes eternos, dos quais se pode tirar o máximo de gozo. É esta inversão de polaridade temporal que confere presença à vida, dando seu valor a uma porção do presente, favorecendo o sentimento de pertença tribal, que considera a vida ordinária como destino. Vida ordinária, vida banal, o solo da renovação comunitária.<p>(...)"
formatoNaoFiccaoOutras[1] = " - 14x21cm"
isbnNaoFiccaoOutras[1] = " - ISBN 85-88840-14-6"

codigoNaoFiccaoOutras[2] = "002"
paginasNaoFiccaoOutras[2] = "152 páginas"
livroNaoFiccaoOutras[2] = "De Um Fragmento Ao Outro"
autorNaoFiccaoOutras[2] = "Jean Baurdillard"
deNaoFiccaoOutras[2] = "De"
preco1NaoFiccaoOutras[2] = " R$ 24,00<br>"
porNaoFiccaoOutras[2] = "por"
preco2NaoFiccaoOutras[2] = " R$ 20,00"
destaqueNaoFiccaoOutras[2] = "Jean Baudrillard faz um balanço de sua obra e comenta o cenário do pensamento contemporâneo, apostando numa nova forma de flagrar a singularidade: o elogio ao fragmento."
olhoNaoFiccaoOutras[2] = "Livro inédito do maior pensador francês da atualidade. Jean Baudrillard, em entrevista concedida à François L’Yvonnet, faz um balanço de sua obra e comenta o cenário do pensamento contemporâneo, apostando numa nova forma de flagrar a singularidade: o elogio ao fragmento."
sinopseNaoFiccaoOutras[2] = "De um Fragmento ao Outro é livro ímpar do maior pensador francês da atualidade. Jean Baudrillard, em entrevista concedida à François L'Yvonnet, faz um balanço de sua obra e comenta o cenário do pensamento contemporâneo, apostando numa nova forma de flagrar a singularidade: o elogio ao fragmento. Intempestivo, como sempre, reatando a linguagem mais poética que conceitual dos seus inícios, o mestre do pensamento contemporâneo surpreendentemente afirma que 'algo de inaugural que pode ser bastante forte' ainda é possível, que 'o essencial está no instante da aparição das coisas'.<p>De fragmento em fragmento, o leitor é convidado a participar do jogo do pensamento aforístico, cujas regras têm que ser fixadas para cada acontecimento. Nestes brilha o prazer de pensar e escrever, em parte perdidos no rigor da pesquisa moderna. Corrosão do sujeito, das ilusões da totalidade, das promessas redentoras da razão ilustrada. Ao apostar no aforismo, Baudrillard enfatiza a singularidade e evita a decifração em favor da literalidade e imediaticidade do sentido.<p>O fragmento é a aposta do pensamento."
trechoNaoFiccaoOutras[2] = "<b>Leia um trecho do capítulo Fragmentos Aforísticos:</b><p>Do ponto de vista editorial, está na moda a reedição de obras – nem sempre com o mesmo título –, mas acompanhadas de um prefácio interminável, muitas vezes, autojustificador... Do tipo, tendo acertado ou errado, em todo caso, eu tinha razão...<p>O que foi feito está feito, se isso exprimiu uma verdade qualquer foi em determinado momento. Não há repescagem, nem reciclagem... Pouco importa se isso se perde.. O menor respeito por si mesmo consiste em deixar de correr atrás de sua sombra...<p>É o princípio da garrafa lançada no mar em relação a repercussões imprevisíveis...<p>Talvez, um dia, isso terá a possibilidade de conseguir seus quinze minutos de glória, como diz Andy Warhol... O aforismo consiste em lançar pensamentos dispersos, cada leitor tirará deles seu próprio proveito, de maneira diversa... A propósito do livro Cool Memories, cheguei a constatar que cada leitor retira dele algo de diferente, e isso dá muito prazer. Fica-se convencido de que cada detalhe do mundo pode ser perfeito se encontrar seu eco. Quanto à glória, convém aceitar a idéia de que deve haver aí um potencial limitado, o corpus glorioso não é infinito. Portanto, o fato de cada qual usufruir de quinze minutos de glória, é perfeito! Se, por felicidade, temos direito a uma hora inteira é porque estamos roubando setenta e cinco minutos a pessoas que não terão seus minutos de glória. Tem a ver, de certo modo, com a teoria das almas, que se encontra em certas culturas primitivas: há um contingente limitado de almas e apenas esse número; certamente, estas circulam, mas existem corpos à espera de alma que nunca chegarão a encontrá-la, já que seu número é limitado. Não se trata de uma teoria propriamente democrática, mas me parece mais estrita, mais rigorosa, mais lúcida: a partilha dos destinos."
formatoNaoFiccaoOutras[2] = " - 14x21cm"
isbnNaoFiccaoOutras[2] = " - ISBN 85-88840-17-0"

codigoNaoFiccaoOutras[3] = "003"
paginasNaoFiccaoOutras[3] = "150 páginas"
livroNaoFiccaoOutras[3] = "Blefe: o gozo pós-moderno"
autorNaoFiccaoOutras[3] = "Louis L. Kodo"
deNaoFiccaoOutras[3] = "De"
preco1NaoFiccaoOutras[3] = " R$ 18,00<br>"
porNaoFiccaoOutras[3] = "por"
preco2NaoFiccaoOutras[3] = " R$ 15,00"
destaqueNaoFiccaoOutras[3] = "Nesta obra, o filósofo, historiador e doutorando pela Faculdade de Educação da USP apresenta um ensaio contundente sobre o homem no cenário contemporâneo, contemplando-o em suas múltiplas vertentes."
olhoNaoFiccaoOutras[3] = "Nesta obra, o filósofo, historiador e doutorando pela Faculdade de Educação da USP apresenta um ensaio contundente sobre o homem no cenário contemporâneo, contemplando-o em suas múltiplas vertentes. Dividido em quatro capítulos,o autor passeia pela paisagem pós-moderna, dialogando com a leitura (im)possível de Bertold Brecht e encarando tanto a face quanto a máscara, metáforas para o blefe e o real, a fala e a ação."
sinopseNaoFiccaoOutras[3] = "em breve"
trechoNaoFiccaoOutras[3] = "Se alguém disser, agora, que você deve 'amar o outro como a si mesmo', você vai dar uma boa gargalhada. E com toda razão. Em uma paisagem onde tudo se passa como em uma 'luta de catch entre cegos, [onde] o árbitro também é cego [e] os espectadores também, [e onde] tudo aconteceu no escuro - essa última condição é supérflua'8, é quase impossível encontrar um espaço para a piedade ou para servir a quem não conseguiu qualquer espólio.<p>O processo se deu. Quem pode se servir das maravilhas que foram liberadas, ótimo; quem não pode, que se mantenha no seu lugar. É assim que se dá a coisa no universo punctus. E é assim que a obra aparece. <p>O que se vê, então? <br>- Vê-se que toda ponderação só serve aos carniceiros;<br>- que a amabilidade sem nódoa pode emboscar o amante;<br>- que só os vícios podem levar à honra;<br>- que o poder serve aos que estrangulam as leis e que as leis são o gozo da aristocracia;<br>- que só é dado gozar a quem toma o gozo;<br>- que o súdito é um morto;<br>- que a tirania é um dom e que ela deve ser alcançada;<br>- que aparecer é o único bem;<br>- que o dinheiro só chega por assentimento da agressão;<br>- que o bárbaro é aquele que se contenta com pouco;<br>- que os juízos devem se integrar à lascívia;<br>- que a não-indignação é o grande critério para se manter no jogo;<br>- que o inferno e todas as maldições moram aqui ao nosso lado;<br>- que o homem não tem natureza e que a sua única condenação é comer;<br>- que tudo é virtuosamente falso e por isso é humano;<br>- que só o dinheiro fácil pode ser honrado;<br>- que a morte é morte... nada mais;<br>- que todos os homens honrados são grandes embusteiros;<br>- que toda história é uma grande brincadeira;<br>- que cada servidor - filósofo, médico, artista, taxista, etc. - só serve a si mesmo;<br>- que o grande sistema não se interessa pelas vilas, pelos guetos, pelas pequenas casas, pelos andarilhos, etc;<br>- que é preciso corromper, descobrir-se um envenenador e falar;<br>- que o tempo de esperar já foi esperado e que agora a hora é de saquear;<br>- que a insensatez é o exercício de todos;<br>- que só a força pode suspender a servidão;<br>- que tudo deve ser desejado;<br>- que tudo é sátira;<br>- e que tudo é tudo sem identidade.<p>A obra se abre, definitivamente, quando as instituições - religiosas, políticas, sociais, educacionais, médicas etc. - que até então asseguravam um modelo exemplar para o seu facio, e ambicionavam o limite, esqueceram de suas responsabilidades (um blefe) e passaram a ambicionar muito mais do que podiam compreender as suas próprias leis, e por isso aparecem, e por isso se deixam ver. Não há lei (ou responsabilidade) capaz de sustentar uma estrutura que tem como sua estrutura a língua humana, fundada na insensatez. Como uma boa lembrança, dê uma olhada nas visões do 'Mundo Cão', de Miguelanxo Prado, onde toda estupidez apresenta-se crua, nos traços de Pasqual Ferry, no 'Crepúsculo', ou em 'Maus', de Alg Spilgelman9. É o homem que não consegue resistir à repetição contínua de sua nudez, que se cansa da mesma liberdade e que se espanta com o seu tédio, que vai, lentamente, liberar-se de si mesmo e despertar. E o 'despertar encerra-se no sentimento insuportável de que não há caminho a ser seguido'10. No entanto, seguir um modelo é uma coisa, criar instantes em que se possa burlar o que parece ser a ordem das coisas é outra bem diferente. Por isso, nenhuma proibição é capaz de conter aquele que procura um traje elétrico11 e, com ele, a sua hora punctus. Alguns homens sempre tiveram em suas mãos essa hora. E jamais deixaram de se vestir como Sade, como Sardanapalo ou como o santo Papa. Essa capacidade de esconder essa hora e de reservá-la a um grupo pequeno guardava a essência do mundo moderno. Moderno, assim, sempre foi a forma de eleger, como blefe, falsas verdades, e de guardar, para poucos, as que poderiam ser boas. Não pense que a alta burguesia acreditava em ordem, em boas maneiras e na igualdade para quem estava distante da Europa. Mas sabiam que era preciso investir nesse discurso para comer, sem muito esforço, seus vizinhos. <p>A hora punctus sempre esteve viva. No entanto, nunca pertenceu a todos; seu espaço era reservado. Solta, essa hora pode alimentar um tipo que esquece de sua nudez e que pode sair do controle. Não é à toa que para acalmar alguns tipos, em todas as cidades, em qualquer época, sempre existiu um espaço reservado ao gozo. Por mais santa ou fascista que seja, uma cidade sempre há de conviver com aqueles que nunca deixaram de gozar. O gozo é o pátio para se fixar à concórdia, para se acalmar os guerreiros e para guardar ou dar repouso aos que sabem crer. Tanto que no equilíbrio entre gozo e santidade estava depositada a maestria da falsa retórica dos ditos homens de bem, a boa estrutura das instituições e a boa convivência. Era preciso gozar, mas esse gozo devia ser medido, guardado da luz e, mesmo, dado por todos."
formatoNaoFiccaoOutras[3] = " - 14x21cm"
isbnNaoFiccaoOutras[3] = " - ISBN 85-88840-03-0"

codigoNaoFiccaoOutras[4] = "004"
paginasNaoFiccaoOutras[4] = "220 páginas"
livroNaoFiccaoOutras[4] = "A Produção da Crença: contribuição para uma economia dos bens simbólicos"
autorNaoFiccaoOutras[4] = "Pierre Bourdieu"
deNaoFiccaoOutras[4] = "De"
preco1NaoFiccaoOutras[4] = " R$ 28,80<br>"
porNaoFiccaoOutras[4] = "por"
preco2NaoFiccaoOutras[4] = " R$ 25,00"
destaqueNaoFiccaoOutras[4] = "em breve"
olhoNaoFiccaoOutras[4] = "Reúne O Costureiro e sua Grife, Modos de Dominação e A Produção da Crença, artigos do final da década de 1970 sobre o poder simbólico e seus modos de distinção social. Esta obra insere-se de forma determinante na construção de uma teoria interpretativa da cultura."
sinopseNaoFiccaoOutras[4] = "A Produção da Crença: contribuição para uma economia dos bens simbólicos, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, é atualmente um dos livros mais lidos do autor. A obra reúne três ensaios da década de 70: A produção da crença, O costureiro e sua grife e Modos de Dominação.<p>Essa obra propicia o acesso a um dos melhores momentos da construção da sociologia do autor, através de artigos publicados originalmente na revista Actes de la Recherche en Sciences Sociales. Abordando temas como a alta-costura, o teatro, as galerias de arte e o mercado editorial, o autor apresenta conceitos chaves de sua obra, tais como violência simbólica, capital simbólico e capital social.<p>O texto que abre e empresta o nome a esta coletânea, publicado originalmente em 1977, é uma análise crítica sobre o processo de criação, circulação e consagração dos bens culturais, em que desmascara a magia das estratégias de produção de sentido das instâncias de legitimação cultural. O segundo texto, O costureiro e sua grife: contribuição para uma teoria da magia, apresenta a dinâmica do campo da alta-costura, esclarecendo dois conceitos fundamentais de sua obra: campo e capital simbólico. Encerrando o livro, Modos de dominação reflete sobre a ambigüidade das relações pessoais e de trabalho; neste artigo, o autor apresenta o poder simbólico como veículo desconhecido e desinteressado de acúmulo de riquezas, demonstrando que a sua atuação está presente em todas as formações sociais e culturais, inclusive a contemporânea.<p>Com este livro, a Editora Zouk proporciona um contato mais próximo com a consagrada sociologia de Bourdieu. Para os que já conhecem sua obra, esta coletânea representa uma referência de uso prático de parte de seu corpo conceitual; para os que ainda não tiveram o prazer de sua leitura, estes ensaios são certamente uma boa maneira de entrar em seu universo de análise cultural."
trechoNaoFiccaoOutras[4] = "Pelo fato de que os campos da produção de bens culturais são universos de crença que só podem funcionar na medida em que conseguem produzir, inseparavelmente, produtos e a necessidade desses produtos por meio de práticas que são a denegação das práticas habituais da 'economia', as lutas que se desenrolam aí são conflitos decisivos que comprometem completamente a relação com a 'economia': aqueles que acreditam nisso e que, tendo como único capital sua fé nos princípios da economia da má-fé, pregam o retorno às fontes, a renúncia absoluta e intransigente dos começos, englobam na mesma condenação tanto os vendilhões do templo que introduzem determinadas práticas e interesses comerciais no terreno da fé e do sagrado, quanto os fariseus que tiram benefícios temporais do capital de consagração acumulado mediante a submissão exemplar às exigências do campo. É assim que a lei fundamental do campo se encontra, incessantemente, lembrada e reafirmada pelos novos pretendentes que têm o maior interesse pela denegação do interesse.<p>A oposição entre o comercial e o 'não comercial' encontra-se por toda parte: ela é o princípio gerador da maior parte dos julgamentos que, em matéria de teatro, cinema, pintura, literatura, pretendem estabelecer a fronteira entre o que é arte e o que não o é, ou seja, praticamente entre a arte burguesa e a arte intelectual, entre a arte tradicional e a arte de vanguarda, entre a rive droite e a rive gauche*.12 Se esta oposição pode ter um conteúdo substancialmente desigual e designar realidades bastante diferentes segundo os campos, no entanto, permanece estruturalmente invariante em campos diferentes e, no mesmo campo, em momentos diferentes. Ela estabelece-se sempre entre a produção restrita e a grande produção (o comercial), ou seja, entre o primado atribuído à produção e ao campo dos produtores ou, até mesmo, ao subcampo dos produtores para produtores, e o primado atribuído à difusão, ao público, à venda, ao sucesso avaliado pela tiragem; ou ainda, entre o sucesso diferido e duradouro dos clássicos e o sucesso imediato e temporário dos best-sellers; ou, por último, entre uma produção que, fundada na denegação da 'economia' e do lucro (portanto, da tiragem, etc.), ignora ou desafia as expectativas do público constituído e não pode ter outra demanda senão aquela que ela mesma produz, embora a prazo, e uma produção que garante seu sucesso e o lucro correlato, ajustando-se a uma demanda preexistente. As características do empreendimento comercial e as características do empreendimento cultural, como relação mais ou menos denegada ao empreendimento comercial, são indissociáveis. As diferenças na relação com a 'economia' e com o público formam uma só coisa com as diferenças oficialmente reconhecidas e identificadas pelas taxinomias vigentes no campo: assim, a oposição entre a arte 'verdadeira' e a arte comercial abrange a oposição entre os simples empresários que procuram o lucro econômico imediato e os empresários culturais que lutam para acumular um lucro propriamente cultural, nem que fosse mediante à renúncia provisória ao lucro econômico; quanto à oposição que é estabelecida por estes últimos entre a arte consagrada e a arte de vanguarda ou, se quisermos, entre ortodoxia e heresia, ela faz a distinção entre aqueles que dominam o campo da produção e o mercado pelo capital econômico e simbólico que eles haviam conseguido acumular no decorrer das lutas anteriores, graças à uma combinação particularmente bem-sucedida das capacidades contraditórias especificamente exigidas pela lei do campo, e os novos pretendentes que não podem, nem pretendem ter clientes diferentes dos de seus concorrentes, ou seja, produtores estabelecidos, cujo crédito fica ameaçado ao adotarem a prática de impor produtos novos ou recém-chegados com quem rivalizam em busca de novidade."
formatoNaoFiccaoOutras[4] = " - 14x21cm"
isbnNaoFiccaoOutras[4] = " - ISBN 85-88840-02-2 - 2ª edição"
